Na cinzenta cidade de Mirapólvora mora um menino a quem todos chamam de Tistu... e dizem por todos os cantos que ele não é como as outras crianças. Numa de suas aulas de jardinagem ele descobriu ter um dom mais que especial: um polegar verde capaz de fazer brotar plantas nos lugares mais improváveis. Um polegar verde, mas invisível... a algo que se passa por dentro da pele. Desde esse dia, a vida em Mirapólvora começou a mudar...
Desde a estréia, em dezembro de 2002, o espetáculo vem encantando grandes e pequenos, numa bem humorada discussão sobre o mundo das crianças e dos adultos. O Menino do Dedo Verde narra o processo de educação de um menino que busca entender o mundo em que vive e que vai deixando suas impressões digitais por onde passa. O espetáculo parte de uma obra-prima cheia de humor e poesia. Trata-se do romance homônimo de Maurice Druon, escrito em 1957, que hoje não apenas é um clássico da literatura infantil, pois “certas obras não transcendem apenas as fronteiras dos países, mas também as fronteiras das idades” segundo Dom Marcos Barbosa, que traduziu o livro para o nosso idioma.

ALGUNS DEPOIMENTOS:
“O espetáculo é de uma singeleza ímpar, como uma construção em silhueta de todas as situações desenvolvidas. No pequeno armário que serve de palco estão contidos todos os objetos de cena. E o caráter destes revela a sabedoria dos criadores do espetáculo. Tudo é mínimo, essencial: conhecemos o velho bigode, pelo simples bigode mesmo, o pai e a mãe de Tistu, num único boneco, o que exige maestria do ator na sua manipulação, mas que implica num jogo gestual preciso e cheio de humor crítico.
Um trabalho de parceria sem dúvida, é o que se identifica aí, no encontro de Daniel Olivetto e Marcelo de Souza, dois amantes e conhecedores do teatro de bonecos, que sabem fazer boa dramaturgia, para grandes e pequenos, e que falando a estes últimos não os minimizam. Fugindo de todos os estereótipos do que se costuma produzir no teatro dito infantil, a Cia. Experimentus Teatrais nos oferece um belo espetáculo que guardamos para muitos momentos de reflexão. Saímos sempre emocionados, adultos e crianças, e reconhecemos nossa humanidade tão frágil e precária em todos os aspectos sociais que o espetáculo desenha”.
“O espetáculo é de uma singeleza ímpar, como uma construção em silhueta de todas as situações desenvolvidas. No pequeno armário que serve de palco estão contidos todos os objetos de cena. E o caráter destes revela a sabedoria dos criadores do espetáculo. Tudo é mínimo, essencial: conhecemos o velho bigode, pelo simples bigode mesmo, o pai e a mãe de Tistu, num único boneco, o que exige maestria do ator na sua manipulação, mas que implica num jogo gestual preciso e cheio de humor crítico.
Um trabalho de parceria sem dúvida, é o que se identifica aí, no encontro de Daniel Olivetto e Marcelo de Souza, dois amantes e conhecedores do teatro de bonecos, que sabem fazer boa dramaturgia, para grandes e pequenos, e que falando a estes últimos não os minimizam. Fugindo de todos os estereótipos do que se costuma produzir no teatro dito infantil, a Cia. Experimentus Teatrais nos oferece um belo espetáculo que guardamos para muitos momentos de reflexão. Saímos sempre emocionados, adultos e crianças, e reconhecemos nossa humanidade tão frágil e precária em todos os aspectos sociais que o espetáculo desenha”.
ELIANE LISBÔA Dramaturgista, Crítica Teatrla, Mestre em Informação e Comunicação - Paris X, Nanterre – França; Doutora em Teoria Literária na UNICAMP
“O espetáculo solo de Daniel Olivetto, sob a direção de Marcelo F. Souza, tem a árdua e bem sucedida tarefa de verter para o palco o romance de Maurice Druon, O Menino do dedo verde, história bem conhecida por crianças e adultos, que mesmo escrita em 1957, estoura no Brasil nos anos 60/70, como um novo O Pequeno Príncipe, ou um quase Fernão Capelo Gaivota. Do trio publicado, Tistu é sem dúvida o mais simpático de todos.
Numa história simples e poética, o menino do dedo verde vai transformando o mundo com seu “talento oculto” de fazer brotar flores nos lugares mais inusitados - nas grades da cadeia e outros recantos cinzentos. Assim a cidade de Mirapólvora se transforma em Miraflores e com missão cumprida o anjo voa.
No palco, Daniel Olivetto, sem nenhuma empanada ou “rede de segurança” se lança nessa aventura teatral num fôlego só. Amparado por um telão de retalhos azuis que lembra a delicada lona dos cirquinhos, vestindo um figurino enxuto inspirado nos bufões, o ator manipulador representa todos os personagens e recria as situações da obra com adereços muito bem colocados.
Tistu é um marote muito adequado ao personagem. O sr Papai e a sra Mamãe são representados numa placa de madeira reversível, uma espécie de raquete, que funciona como as duas faces da mesma moeda. O jardineiro é feito pelo ator com bem humorados bigodes de barbante. A cadeia é um móbile de molas e bonecos recortados de lata. Depois de transformada pelo menino, volta como um guarda chuva florido.Símbolos muito apropriados na exposição da história.
A direção de Marcelo F. Souza, que também assina a dramaturgia, deixa o ator Daniel Olivetto bem a vontade em cena quanto a manipulação e interpretação dos diversos personagens. (...) “O menino do dedo verde”, é um espetáculo que encanta crianças que ainda não conhecem a história e adultos que se lembram dela com saudade. Ultrapassando as fronteiras de uma possível rivalidade, emociona também outros bonequeiros na platéia”.
LUCIA CERRONE, jornalista, crítica teatral e dramaturga (crítica especialmente escrita no Festival Brasileiro de Teatro de Itajaí, em fevereiro de 2007)
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“(...) O espetáculo revela uma verdadeira dança de sutilezas, que ao explorar o singelo, revela uma direção segura e amadurecida de Marcelo Souza. Por outro lado ainda, desmancha-se a quarta parede, e recria-se todo o material espetacular na sua interpenetração, e de maneira responsável e criativa colocam o espetáculo ao público. (...) assim pode-se dizer que o caráter novidativo deste trabalho é o afastamento do hermético. E ainda, se distancia das relações estereotipadas, que geralmente, encontramos no teatro que diz dedicar-se ao público infantil”.
VALÉRIA DE OLIVERIA, Atriz do Grupo Porto Cênico Professora de Arte-Educação na UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Teatro pela da Universidade do Estado de Santa Catarina.
“A arte não vinculada à mídia de massa, vive com orçamentos baixíssimos e ainda assim, e talvez por isso, continua sendo arte, podendo ser de primeira qualidade, como é o caso da peça O MENINO DO DEDO VERDE, apresentada pela Cia Experimentus Teatrais de Itajaí, num solo delicado e contagiante. Solo? Não, os bonecos que contracenam com o ator são tão vivos que os levamos juntos no coração, depois de assistir o espetáculo. Um espetáculo terno, tomado por um malabarismo comum a quem sabe construir arte com poucos recursos e, com isso, dar vazão a uma contida criatividade, cada vez mais sufocada em nós pelas máquinas, pelo concreto, lang houses, fliperamas, filmes apelativos e televisão (...) Para isso colaboram um figurino que não rouba a atenção da vida dos personagens; uma trilha sonora bem escolhida, que nos leva longe no ritmo da emoção; um cenário simples e, por isso mesmo, que nos surpreende por conseguir apresentar tantas regiões diferentes num mesmo palco; um ator amadurecido precocemente nas experiências de palco, que flutua suavemente pelo nosso imaginário, sem jamais feri-lo e, acima de tudo, um elemento fundamental ao gênio humano: a criatividade, que nos faz voar junto com Tistu por jardins esquecidos em nossa memória”.
MAURO CAMARGO, Escritor Autor dos Livros “A Ilha de Alor” e “Ana Cabeluda do Pano na Cabeça”